REPRESSÃO POLICIAL E LGBTTFOBIA EM SOROCABA


Nos últimos meses, não são poucos os relatos de abordagens policiais violentas e desproporcionais em Sorocaba, com uso excessivo de força, inclusive com agressões verbais e físicas.

Esse tipo de conduta, apesar de contrária à Lei, não é novidade nenhuma nas periferias e favelas do país. Para o povo pobre, negro e periférico, a polícia sempre foi vista com desconfiança e medo, já que as forças de segurança pública nunca precisaram de um “motivo” para bater, humilhar, ou até mesmo matar. O simples fato de nascer ou estar no lugar “errado”, “vestir a camisa da cor negra”, confirmam que - com base na história e no dia a dia - as maiores atrocidades são feitas em nome de uma ordem social que protege o patrimônio de poucos em detrimento de vidas.

Não há investigação ostensiva dentro da corporação, não há punição dos que são investigados. Quando muito, afastamento da função para realização de serviços administrativos internos. A expulsão é rara. Prevalece sempre o corporativismo e protecionismo dos seus membros, para preservar uma imagem fantasiosa de uma instituição que apodrece a olhos vistos.

No último dia 28, foram dois relatos de LGBTTfobia cometidos por PMs da cidade (na Praça do CIC contra adolescentes e na Praça Frei Baraúna contra uma jovem trans), no ano passado tivemos Guardas Municipais agredindo jovens LGBTTs dentro do terminal de ônibus, enfim, nota-se o aumento dos casos de conduta violenta da polícia contra LGBTTs.

População periférica, população negra, população LGBTT, basta fazer parte de qualquer um desses grupos para ser abordado com agressividade. Cometer crime ou ser suspeito de um não é indispensável, provas não são necessárias, registro de ocorrência tampouco, é a violência pela violência, motivada pelo preconceito que está enraizado numa instituição que a cada dia se torna mais fascista.

Sob o pretexto de proteger “cidadãos de bem” contra aqueles que são julgados seres humanos de “segunda categoria”, o braço armado do Estado utiliza sua força para intimidar pessoas, calar movimentos sociais, aniquilar tudo que possa, de alguma maneira, questionar a ordem social imposta pela burguesia.

A sociedade não pode se calar diante desses atos de covardia e violência, todos merecemos respeito, independente da condição social, raça, cor, identidade de gênero ou orientação sexual. A polícia deve ser popular e agir para coibir atos de violência, e não ser ela própria a razão da violência.


Posição do MAIS sobre as eleições em Sorocaba

Nota #MAIS Sorocaba sobre eleições

MAIS·Sábado, 3 de setembro de 2016

Nós do MAIS (Movimento Por Uma Alternativa Independente e Socialista) possuímos um programa próprio de partido e eleições, entretanto - em razão do pouco tempo de vida da organização - não pudemos participar oficialmente das eleições que se estendem por todo o território nacional neste período. Avaliamos que a inserção no debate e atividades eleitorais é uma importante forma de levar o ideal socialista para a população e ainda, especificamente neste momento da conjuntura brasileira, iniciar o debate da construção de um terceiro campo independente dos trabalhadores no país. Neste contexto, onde há candidaturas que representem um avanço para a esquerda radical nos municípios, estamos oficializando nosso apoio.

Vivemos hoje um momento bastante importante para a esquerda brasileira de modo geral e também para o conjunto da população. De um lado vemos uma crise econômica gigantesca que produz altos índices de desemprego, um aumento no custo de vida e um corte de verbas a serviços essenciais para o povo. De outro lado, assistimos à crise do projeto político petista de conciliação de classes e a imposição por parte da classe dominante de um governo ilegítimo e reacionário de Michel Temer.

Os dois processos, apesar de distintos se relacionam intimamente. A burguesia precisa avançar na retirada de direitos da população para manter suas taxas de lucro e o PT não tem mais capacidade de aplicar tais projetos. É por isso que conjuntamente a FIESP, a grande mídia, setores do judiciário e do legislativo aplicam uma verdadeira manobra para colocar de maneira completamente antidemocrática um novo governo no poder. Um governo que tenha condições de aprofundar mais ainda os ataques que o PT não conseguiu.

É no meio de todo esse processo que acontecem as eleições municipais em todo o país. Embora seja cedo para afirmar com certeza alguma análise mais profunda, as primeiras pesquisas indicam o crescimento de candidaturas de perfil conservador e de extrema-direita, pautadas no discurso anticorrupção e em medidas reacionárias. Por outro lado, surge um espaço para candidaturas de esquerda, como Freixo no Rio e Luciana Genro em Porto Alegre. Em partes, este processo se explica pela ruptura de amplos setores da classe trabalhadora com o PT, além de expressar uma forte descrença da população nos partidos tradicionais e no próprio sistema político brasileiro.

Sabemos que o terreno eleitoral é antidemocrático e possui diversas limitações. O tempo de propaganda não é distribuído igualmente entre os candidatos e - graças à mini-reforma do corrupto Eduardo Cunha - partidos de esquerda como o PSTU, PSOL e PCB são excluídos dos debates na TV. Grandes empresas continuam patrocinando campanhas de diversos políticos e determinando, portanto, quais candidatos de fato terão chances de se eleger. Com isso, a classe trabalhadora sequer tem chances de conhecer todas as alternativas. Percebe-se então que a democracia, no Brasil, só existe para os ricos e poderosos.

Em Sorocaba, a situação não é diferente do restante do país. Vivemos em uma cidade com mais de 600 mil habitantes, mas que é governada pelos mesmos grupos políticos. O PSDB em nossa cidade está a frente da prefeitura desde 1996, e antes disso tínhamos o PMDB, além de contar com uma câmara de vereadores extremamente retrógrada. Querem nos fazer acreditar que existe uma disputa de projetos políticos durante as eleições entre PSDB e PMDB, ou entre PSDB e DEM. Mas a verdade é que o que acontece em nossa cidade é uma mera disputa entre a própria elite, que não possuí nenhum compromisso com os interesses da população. É isso que representam tanto as candidaturas de Crespo, antigo DEM e hoje PMDB, e João Leandro do PSDB.

Mas o povo sorocabano está cansado da mesma conversa de sempre. Está cansado das promessas de sempre sem resultados. Está cansado de se deixar levar pelos interesses daqueles que nunca estiveram ao nosso lado. E justamente por isso hoje, Raul Marcelo do PSOL aparece em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, com 30% das intenções de voto. Nós do MAIS enxergamos isso como algo extremamente progressivo e vemos na candidatura de Raul Marcelo a possibilidade de enfrentamento com essa velha elite reacionária que comanda a nossa cidade a décadas. Por isso declaramos nosso apoio a essa candidatura e nos somamos a força militante do PSOL para construir essa campanha. Mas achamos que isso não basta. A candidatura de Raul Marcelo tem um potencial muito maior do que o seu potencial eleitoral. Ela pode e deve ser uma candidatura que busque canalizar o sentimento de revolta popular, de indignação com a situação política e econômica da cidade e do país. Para isso achamos que essa campanha pode e deve ser uma campanha que de voz a todos que lutam na cidade. A construção da candidatura começa no sentido correto, sem apoio de empresas, sem coligações com partidos burgueses e com um programa de governo construído coletivamente com trabalhadoras e trabalhadores que estão para além do partido. Mas avaliarmos também que vários pontos precisam avançar em seu programa de governo, como o estabelecimento de pautas mais definidas relacionadas às questões LGBTs da cidade por exemplo.

Sabemos como o calendário eleitoral exerce uma pressão para que questões como essa fiquem em segundo plano, e por isso que além de apoiar Raul Marcelo fazemos um chamado a todas e todos os lutadores da cidade, para que não apenas votem nele, mas para que tomem a campanha para si. E para que passado o período eleitoral, independente do resultado, não voltem para casa. Temos que aproveitar esse momento político ímpar para fortalecer a discussão e formação de um terceiro campo independente do PT e da direita na cidade, que reúna todos os setores de esquerda, pois entendemos que o objetivo final da participação da esquerda nas eleições não pode ser um mandato, mas o fortalecimento da luta para a construção de uma nova sociedade.

Um novo Golpe contra a Classe Trabalhadora!



Hoje dia 31 de agosto de 2016 é um dia histórico. É o dia em que foi consolidado no Brasil mais um Golpe. O Senado concluiu sua votação e condenou Dilma Rousseff a acusação do impedimento, a perder assim, a partir de então, o cargo presidencial.

É um dia histórico, não somente pela consolidação de um Golpe parlamentar, mas pela intensa falta de lucidez na interpretação do evento e também pela grave irracional histeria daqueles que comemoram.

O governo petista desde o seu primeiro mandato apostou em um política de conciliação de classes, buscando atender os interesses do grande capital e da classe trabalhadora - em algumas de suas demandas. Sobretudo, privilegiou e tutelou o grande empresariado ainda que produzisse tímidas reformas progressistas para os trabalhadores. Essa opção foi o caminho escolhido pelo PT para se legitimar enquanto potência política capaz de governar o país. No entanto, ao fazer esse pacto, optou também pelo conservadorismo conciliador no que se refere as diversas formas de luta organizada da esquerda, sendo que as lutas que não pôde cooptar, criminalizou-se. Certo é que a classe dominante não opera na lógica de pactos afetivos, opera, sim, no apoio a governos que estejam de acordo com um projeto cuja governança que lhes propiciem continuidade de grandes lucros e ampla dominação. Imediatamente ameaçado o projeto, ou diminuído sua influência, a classe dominante não só retira o apoio ao governo que lhe [também] servia , como o depõe.

A crise que se acentuou em 2008, (“marolinha” no Brasil), fez se esgotar ao longo dos anos as possibilidades de arrecadação de recursos fiscais, cambias e tributários para conter a queda da taxa de crescimento [capitalista] da economia brasileira. Ao passo que, na entrada de 2014, a crise do Capital já batia claramente às portas do país e começava a se tornar emergencial um outro governo. Um governo que não buscasse um pacto entre classe dominante e os trabalhadores, mas um governo que esquecesse, de uma vez, qualquer medida que atendesse os interesses do povo - ainda que mínimos - e se concentrasse exclusivamente em recuperar o ritmo de crescimento do empresariado.

É nesse contexto que o tão sonhado Golpe palaciano se torna viável. O empresariado retira seu apoio ao governo, a mídia inflama e impulsiona as manifestaçãoes reacionárias e golpistas, a Câmara dos Deputados se torna o poder central na República e é dado início ao processo de impeachment.

De forma alguma foi uma grande surpresa. Era necessário um governo sob a liderança de Michel Temer para implementar medidas ainda mais violentas contra a classe trabalhadora para recuperar a taxa de lucro e crescimento do país em um cenário de crise do capistalismo. Inicia-se um governo com amplos cortes em áreas sociais fundamentais, transferindo-se em grande escala para o já então Poder Economico.

O PT vendo-se dentro desse contexto em que se colocou, traça sua estratégia: que corra o Golpe parlamentar, que Temer assuma, vitmiza-se Dilma, recupera-se algm prestígio perdido do partido. Temer implementa sua agenda ainda que custe a dignidade dos trabalhadores. Mas em 2018 “voltamos triunfantes com Lula”.

A opção foi clara e consciente. Os movimentos sociais e sindicatos que nas últimas décadas foram absorvidos pelo petismo e sua conciliação morna, no decorrer desse processo, forjaram lutas protocolares visando também talhar uma imagem de vítima da então presidenta, a construir o palanque Lula para as próximas eleições burguesas.

Esse Golpe palaciano não se coloca contra o PT, muito menos contra Dilma. O Golpe é uma necessidade urgente do Capital de recuperar seu faturamento. E o Capital só atingirá seu objetivo explorando e empobrecendo cada vez mais a classe trabalhadora. Portanto, O GOLPE É CONTRA A CLASSE TRABALHADORA.

31 de agosto de 2016 não é o dia que marca a saída de Dilma da presidência da República, mas sim o dia em que a classe trabalhadora sofre mais um golpe das forças conservadoras e reacionárias do capitalismo. É o dia em que Michel Temer é elevado à presidência da República para satisfazer os anseios do Grande Empresariado.

Por essas razões é emergencial que não nos enganemos com falácias que vitimizam superficialmente Dilma [e o PT], precisamos superar o programa democrático popular, pois o centro da questão não é esse. Os atores desse processo já encontraram seu caminho, agora resta ao conjunto da classe trabalhadora, e a esquerda, se unir e se organizar para combater e resistir ao governo Temer nos próximos anos.

Fora Temer! Contra o lulo-petismo e o Golpismo!
À resistência, à luta!
A saída é pela Esquerda! Uni-vos!

Frente de Esquerda de Sorocaba Apoia a Candidatura de Raul Marcelo à Prefeitura de Sorocaba




A FRENTE DE ESQUERDA CLASSISTA – REGIÃO DE SOROCABA vem, através desta, manifestar apoio manifestar apoio ao candidato RAUL MARCELO/PSOL à Prefeitura de Sorocaba. A cidade, após décadas de gestão do PSDB, apresenta sérios problemas em suas áreas básicas, como saúde e educação. Além disso, não há a criação e aplicação de políticas públicas eficientes que garantam os direitos das mulheres e das minorias, nem o cuidado com a primeira infância. Tampouco há participação popular nas decisões referentes à cidade e ao bem estar das pessoas.

Entendemos que Raul Marcelo tem condições de realizar uma boa gestão municipal, se cumprir suas propostas de governo, como a criação da Secretaria dos Direitos da Mulher, passe livre para os estudantes, apoio à Cultura e ao Esporte e suporte e profissionalização aos trabalhadores. Sorocaba necessita de um governo novo com orientação à esquerda, que tenha vontade para reestruturar e reorganizar áreas básicas e importantes da cidade.

Contudo, é importante ressaltar que um bom governo se faz com massiva participação e fiscalização popular, sendo assim, a FRENTE DE ESQUERDA CLASSISTA – REGIÃO DE SOROCABA assume o compromisso de cobrar o candidato, caso eleito, o cumprimento de suas propostas de governo com eficiência, transparência e honestidade, não esquecendo-se nunca de sua orientação política.

Compõem a Frente de Esquerda Classista - Região de Sorocaba​:
-NOS Sorocaba
-MAIS - Movimento Por uma Alternativa de Esquerda;
-Co.labor.ativa​
-Militantes do PSOL Sorocaba​ e
-Militantes independentes.


Forjando uma nova Esquerda





No último sábado (13/08) ocorreu em São Paulo o Seminário do Bloco de Esquerda Socialista e a Frente de Esquerda de Sorocaba marcou presença nesse evento. O Seminário contou com a presença de diversas organizações do campo da esquerda que não vê mais no PT uma alternativa (LSR, MRT, PCB, APS, NOS, Consipiração Socialista, entre outras*) e discutiu a situação nacional, desde a crise econômica que assola o país hoje e os impactos para a classe trabalhadora, o governo ilegítimo de Michel Temer até quais as saídas para a esquerda socialista hoje. Com a discussão cada uma das correntes apresentou sua leitura da realidade e quais os caminhos que acha que a esquerda socialista deve buscar no país no próximo período e nós percebemos com o debate que as mesmas polêmicas e dúvidas existentes entre a Frente de Esquerda de Sorocaba são basicamente as mesmas que se apresentaram no seminário. 


Se chegaram a acordos importantes durante a discussão, como a necessidade da esquerda se unificar pelo Fora Temer e ao mesmo tempo romper com a marginalidade existente hoje. Mas qual a saída para derrubar Michel Temer? É claro que a luta e a mobilização da classe são fundamentais para isso, mas o que devemos propor como palavra de ordem para isso? Eleições Gerais? Constituinte Livre e Soberana? Apesar de se chegar a conclusão de que é necessário que o povo decida quem deve governar, existem diversos posicionamentos em relação ao que propor para que isso se concretize. 


Ao mesmo tempo, percebemos um clima de grande fraternidade na discussão. Mesmo quando haviam desacordos, as polêmicas eram colocadas de maneira bastante sadia e não fratricida. Consideramos isso como um passo fundamental para a unificação da esquerda. Sabemos que por muito tempo, e isso se explica por diversos motivos, a esquerda esteve completamente fragmentada e incapaz de realizar espaços que fortalecessem a unidade entre os lutadores. Isso é fundamental para que se crie um terceiro campo, independente dos patrões e da direita tradicional e coloque a esquerda brasileira num patamar real de disputa política a nível nacional.


A Frente de Esquerda de Sorocaba saúda essa iniciativa e espera que o seminário tenha servido como um embrião para uma unificação dxs lutadorxs em São Paulo. Sabemos o quanto nosso Estado, em especial as cidades do interior são completamente dominadas politicamente pelo que existe de pior na política, uma direita branca, reacionária e religiosa. E entendemos que não existe hoje uma organização capaz de furar esse bloqueio e oferecer uma alternativa para a nossa classe. Justamente por isso nos organizamos enquanto Frente em Sorocaba e vemos a necessidade de iniciativas assim serem cada vez mais frequentes para que possamos fazer frente a essa direita e a política oportunista e de conciliação de classes.


Não temos ilusões, sabemos que é algo bastante difícil, não só porque nossos inimigos são muitos e tem muita força, mas também porque superar o sectarismo existente hoje na esquerda é uma tarefa que exige paciência, não apenas pelas diferenças, mas porque reconstruir as relações de confiança e camaradagem entre organizações e ativistas que até hoje se viam marchando em separado leva tempo. Mas ao mesmo tempo temos a clareza que se não nos jogarmos com todas as nossas forças para que isso aconteça, seremos fracassados na tarefa de derrotar Michel Temer, de defender os direitos da nossa classe e de criar uma alternativa palpável ao povo brasileiro.


Sabemos que o seminário foi apenas um passo inicial, e precisamos debater o seu conteúdo mais a fundo, mas queremos aqui nos colocar a disposição, não necessariamente desse espaço, mas da importância de unificarmos a esquerda, entendendo que a esquerda não se resume aos partidos políticos que dizem representa-la, mas toda uma gama de ativistas e lutadores que hoje, não enxergam nenhuma dessas organizações como saída organizativa para a sua militância, e nem por isso não entendem a necessidade de transformação da nossa sociedade e continuam na luta, seja nos seus trabalhos, bairros, grupos artísticos, para que isso ocorra.

Não à Educação Sem Pensamento Crítico. Não ao Escola Sem Partido.


A FRENTE DE ESQUERDA CLASSISTA –REGIÃO DE SOROCABA não poderia deixar de manifestar-se sobre o Programa “Escola Sem Partido”, que atualmente conta com dois projetos de leis de âmbito nacional em tramitação, além dos inúmeros projetos de leis municipais com o mesmo teor. (PL 867/2015 - Câmara dos Deputados e PL 193/2016 - Senado Federal)

O conteúdo dos projetos são verdadeiras aberrações e têm como objetivo incluir o Programa “Escola Sem Partido” na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sob o argumento de que as escolas estão expostas ao alto grau de “contaminação” político-ideológica (de esquerda) em todos os níveis, do ensino básico ao superior, propagado pelos professores.

O Programa prevê uma suposta neutralidade e isenção na educação, restringindo a atuação dos professores em sala de aula, proibindo-os de manifestarem suas opiniões pessoais aos alunos, passando a ser apenas transmissores do conhecimento existente nos livros, que também não deverão conter pensamentos ideológicos.

O professor, segundo o Movimento “Escola Sem Partido”, não é educador. A educação fica a cargo dos pais, verdadeiros responsáveis pela orientação moral dos filhos, levando em conta suas próprias convicções.

Para garantir sua efetividade, a lei determina que o Ministério da Educação, assim como as Secretárias a ele vinculadas criem canais de comunicação, através dos quais os alunos ou os pais possam fazer denúncias contra os professores, que serão direcionadas ao Ministério Público, garantindo ainda o sigilo da identidade do denunciante.

Sob o pretexto de que as escolas promovem uma doutrinação ideológico-partidária e religiosa gravíssima (que não demonstra concretamente), o Movimento pretende “proteger” os estudantes dos ideais que se contrapõem aos professados por seus pais.

Ocorre que, os projetos de leis, assim como o Programa em si, ao contrário do que apregoam seus defensores, não torna neutro o processo educacional, pois toda informação ou ato é necessariamente ideológico e político, ainda que revestido de uma carapaça de “imparcialidade”.  Na realidade, elimina a diversidade de posições ideológicas, fornecendo aos alunos um conhecimento unilateral, ou seja, faz com que a educação se torne um mecanismo de reprodução e doutrinação da ideologia dominante (conservadora burguesa).

Como se não bastasse a deturpação ideológica produzida em larga escala pelas propagandas, filmes pasteurizados, programas de TV, entre outros, o Programa “Escola Sem Partido” visa ainda esvurmar a diversidade de pensamentos do ambiente escolar, um dos poucos espaços onde se pode acessar conteúdo crítico, diferente daquele que se consome no dia-a-dia.

Nos últimos anos, os meios de comunicação têm promovido uma extensa campanha para retirar a importância da política das relações sociais, principalmente da política partidária, fazendo que com que generalizações grotescas façam parte das mentes e falas de boa parte da população - “todos corruptos, todos iguais”. Nada mais conveniente para facilitar o controle e a manutenção do processo de exploração, que nos tornarem seres “apolíticos” e “a partidários”. Acontece que, o campo das transformações sociais é necessariamente político e primordialmente múltiplo.  Lembrando que a própria ideia do “apartidarismo” é um projeto conservador burguês.

Com isso, fica ainda mais evidente o objetivo da lei (fortalecer os movimentos conservadores e reacionários, colocando todo o pensamento progressista e de esquerda, diante da atual conjuntura, como uma extensão do PT, usando para tanto um espantalho chamado Petralha, com camisa vermelha) quando propõem que as escolas não estimulem os estudantes a participarem de manifestações, atos públicos e passeatas, ou seja, que não questionem, que não lutem pelos seus direitos, que aceitem passivamente os atos praticados pelos entes políticos ainda que estes tragam prejuízos à sociedade.

Precisamos nos mobilizar urgentemente contra a inclusão do Programa “Escola Sem Partido” na Educação Nacional, haja vista que sua aprovação, antes impensada diante do absurdo de suas propostas, atualmente é plenamente possível, em função do Congresso Nacional extremamente conservador e da crise política produzida não por acaso.

Vamos à luta pela Educação com pensamento crítico!

Seminário do Bloco de Esquerda Socialista - São Paulo - 12/08/2016

A Frente de Esquerda Classista - Região de Sorocaba esteve presente no Seminário do Bloco de Esquerda Socialista em São Paulo no dia 13, sábado. Abertura do Seminário contou com falas importantes de Mauro Iasi e do Plinio de Arruda Jr. Confiram o debate:

LOA - Ocupação e Resistência no Orçamento Municipal



A FRENTE DE ESQUERDA CLASSISTA – REGIÃO DE SOROCABA esteve na última sexta-feira (05/08/2016), na audiência pública realizada pela Prefeitura de Sorocaba, no auditório da Biblioteca Municipal, para receber sugestões da população acerca da Lei Orçamentária Anual - 2017.

Apenas 15 pessoas compareceram, sendo que dessas, 05 não eram vinculadas à Prefeitura. Nenhum dos candidatos às eleições municipais desse ano (diretamente interessados) esteve presente, assim como, organizações, coletivos ou movimentos sociais da cidade. Cabe ressaltar ainda que, dentre todos os presentes, havia apenas uma mulher!

É fundamental a participação da população nas audiências públicas para discutir o orçamento municipal, são espaços de representatividade e luta, ferramentas importantes para pressionar e fiscalizar as ações do Estado burguês, especialmente, na atual conjuntura, quando direitos são suprimidos sob a justificativa de corte de verbas por conta da crise.

A crise política e econômica que o país está atravessando apresenta reflexos evidentes na queda da arrecadação dos Municípios. No entanto, até que ponto os cortes são possíveis e quais áreas serão privilegiadas? Cabe lembrar que, até pouco tempo, conforme a LOA 2015, as despesas da Secretária de Urbanismo eram maiores que as da Educação e da Saúde. Ou seja, cortaremos saúde e educação para garantir interesses empresariais e eleitoreiros em urbanização?

De qualquer forma, a Prefeitura apresentou dificuldades orçamentárias, com cortes de verbas em todas as áreas, como sendo decorrentes da atual crise, entretanto, os cortes vêem ocorrendo muito antes dela, desde o início do mandato de atual Prefeito em 2013. Ressalte-se que, a Gestão Municipal anterior, do atual deputado federal, Vitor Lippi (condenado por improbidade administrativa), deixou como herança para a cidade dívida exorbitante, que contribuiu para o atual cenário.

No que diz respeito às sugestões apresentadas na audiência, apenas a do membro da FRENTE DE ESQUERDA CLASSISTA – REGIÃO DE SOROCABA mostrou-se viável, segundo o Secretário do Planejamento, sendo esta o direcionamento de verbas da Secretaria de Segurança Pública para um Programa de Combate à Violência Doméstica, com melhoria e ampliação dos órgãos existentes e aumento do horário de funcionamento da Delegacia da Mulher, reivindicação antiga dos coletivos feministas da cidade (fiscalizaremos a efetivação da referida sugestão, na medida em que foi acolhida). 

Ainda que audiências públicas não sejam a forma de luta prioritárias, a máquina pública, em sua burocracia, apresenta esses espaços de participação popular, que precisam ser ocupados como movimentos de resistência. Através delas podemos pressionar os agentes políticos e administrativos, visando melhorias imediatas para o conjunto da classe trabalhadora. Podemos evitar que haja o sucateamento dos serviços públicos essenciais e a extinção de programas sociais em áreas importantes, por conta da suposta necessidade de cortes ou realocação de verbas.

Ocupar, resistir, pressionar e fiscalizar as ações do Estado! Essa é a ordem do dia!

A Merenda Escolar em Sorocaba



A questão da merenda escolar em Sorocaba voltou aos noticiários por conta do fim da vigência do contrato emergencial, firmado com a empresa Apetece Sistema de Alimentação S/A, sem, contudo, nenhuma solução apresentada pela Prefeitura, que garante o fornecimento aos estudantes, crianças de baixo poder aquisitivo, apenas até a próxima segunda-feira (01/08).

O contrato foi firmado em fevereiro desse ano - em caráter emergencial - para fornecimento de merenda às escolas municipais da cidade pelo prazo de 100 dias ao custo de 44,8 milhões de reais. Isso após a Prefeitura rescindir o contrato anterior, firmado com a empresa ERJ Adm. e Restaurantes de Empresa Ltda. que embora recebesse dinheiro da Administração Pública, não pagou diversas verbas referentes a direitos trabalhistas das funcionárias terceirizadas, tal como apresentou desempenho insatisfatório no preparo e distribuição da merenda.

O que se vê é apenas mais um capítulo da novela - de péssimo gosto - protagonizada pela Prefeitura de Sorocaba, que se arrasta há anos (a ERJ faz parte do grupo de empresas que controla a merenda escolar há 19 anos na cidade, trocando o CNPJ e alterando o nome dos sócios para participar de novas licitações), com contratação de empresas investigadas por participação em cartel, irregularidades no processo de licitação, contratos em valores acima dos praticados no mercado, merendas de má qualidade, descarte irregular e acondicionamento inadequado de alimentos, inobservância dos mínimos direitos dos trabalhadores, e muitos outros problemas veiculados pelos meios de comunicação desde 2009.

A Prefeitura de Sorocaba não deve “apenas” cumprir a legislação e administrar de forma adequada o dinheiro público, mas, acima de tudo, respeitar à saúde e dignidade das crianças com idades entre 0 e 14 anos, filhas e filhos de trabalhadores que, em sua maioria, não dispõem de recursos financeiros para comprar o próprio lanche, que, muitas vezes, não se alimentam antes de ir para a escola, que passam mais tempo na escola do que na casa, que necessitam de uma alimentação adequada para, além de minimizar os diversos obstáculos materiais que a vida em uma sociedade baseada no consumo, no dinheiro, e em classes sociais impõe [que gera também obstáculos psicológicos], se possa ter o mínimo de condições para o aprendizado.

A FRENTE DE ESQUERDA CLASSISTA – REGIÃO DE SOROCABA se solidariza com os estudantes – e pais e mães trabalhadoras - da rede municipal de ensino, que aguardam ansiosamente uma solução definitiva da Administração Municipal no fornecimento da merenda escolar, ressaltando que, todos nós, como parte da sociedade, temos que exigir dos governantes o cumprimento de suas obrigações, especialmente em relação às condições de existência e desenvolvimento [mínimas] de nossas crianças.

Vídeo: Debate Caminhos da Esquerda

Debate: Caminhos da Esquerda



A esquerda hoje passa por uma crise em suas bases conceituais e principalmente organizacionais. O projeto burguês de ataque e cooptação aos partidos políticos e sindicatos junto da burocratização de suas estruturas, trouxe um enorme descrédito às instâncias históricas de lutas da classe trabalhadora. Essa crise tem promovido uma recusa ao vínculo de novos atores políticos nessas instituições. Ainda, coloca posições tradicionais da esquerda revolucionária num limbo de ação e representatividade política.

Diante desse quadro a Frente de Esquerda Classista – Região de Sorocaba, convida a todxs para um debate a cerca dos “Novos Caminhos da Esquerda”: caminhos e desafios. A proposta são dois dias de debates visando definir um novo curso nas ações de mobilização e organização da Esquerda em Sorocaba.

Para isso convidamos a todxs a participarem dos debates nos dias 25/06 e 02/07. Onde o primeiro encontro abordaremos as direções politicas das esquerda e no segundo novas formas de organização e ações.


Para o primeiro encontro traremos um debate sobre as diferentes saídas propostas na conjuntura atual:

1. Eleições Gerais;

2. Reforma Política;

3. Constituinte exclusiva soberana;

4. Volta Dilma;

5. Outro caminho? – Aberto a sugestões e defesas.

Aguardamos todxs os interessados no Coreto Largo do Líder, na Rua Santa Rosália, às 16h (teto) de sábado (25/06).