Não à Educação Sem Pensamento Crítico. Não ao Escola Sem Partido.


A FRENTE DE ESQUERDA CLASSISTA –REGIÃO DE SOROCABA não poderia deixar de manifestar-se sobre o Programa “Escola Sem Partido”, que atualmente conta com dois projetos de leis de âmbito nacional em tramitação, além dos inúmeros projetos de leis municipais com o mesmo teor. (PL 867/2015 - Câmara dos Deputados e PL 193/2016 - Senado Federal)

O conteúdo dos projetos são verdadeiras aberrações e têm como objetivo incluir o Programa “Escola Sem Partido” na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, sob o argumento de que as escolas estão expostas ao alto grau de “contaminação” político-ideológica (de esquerda) em todos os níveis, do ensino básico ao superior, propagado pelos professores.

O Programa prevê uma suposta neutralidade e isenção na educação, restringindo a atuação dos professores em sala de aula, proibindo-os de manifestarem suas opiniões pessoais aos alunos, passando a ser apenas transmissores do conhecimento existente nos livros, que também não deverão conter pensamentos ideológicos.

O professor, segundo o Movimento “Escola Sem Partido”, não é educador. A educação fica a cargo dos pais, verdadeiros responsáveis pela orientação moral dos filhos, levando em conta suas próprias convicções.

Para garantir sua efetividade, a lei determina que o Ministério da Educação, assim como as Secretárias a ele vinculadas criem canais de comunicação, através dos quais os alunos ou os pais possam fazer denúncias contra os professores, que serão direcionadas ao Ministério Público, garantindo ainda o sigilo da identidade do denunciante.

Sob o pretexto de que as escolas promovem uma doutrinação ideológico-partidária e religiosa gravíssima (que não demonstra concretamente), o Movimento pretende “proteger” os estudantes dos ideais que se contrapõem aos professados por seus pais.

Ocorre que, os projetos de leis, assim como o Programa em si, ao contrário do que apregoam seus defensores, não torna neutro o processo educacional, pois toda informação ou ato é necessariamente ideológico e político, ainda que revestido de uma carapaça de “imparcialidade”.  Na realidade, elimina a diversidade de posições ideológicas, fornecendo aos alunos um conhecimento unilateral, ou seja, faz com que a educação se torne um mecanismo de reprodução e doutrinação da ideologia dominante (conservadora burguesa).

Como se não bastasse a deturpação ideológica produzida em larga escala pelas propagandas, filmes pasteurizados, programas de TV, entre outros, o Programa “Escola Sem Partido” visa ainda esvurmar a diversidade de pensamentos do ambiente escolar, um dos poucos espaços onde se pode acessar conteúdo crítico, diferente daquele que se consome no dia-a-dia.

Nos últimos anos, os meios de comunicação têm promovido uma extensa campanha para retirar a importância da política das relações sociais, principalmente da política partidária, fazendo que com que generalizações grotescas façam parte das mentes e falas de boa parte da população - “todos corruptos, todos iguais”. Nada mais conveniente para facilitar o controle e a manutenção do processo de exploração, que nos tornarem seres “apolíticos” e “a partidários”. Acontece que, o campo das transformações sociais é necessariamente político e primordialmente múltiplo.  Lembrando que a própria ideia do “apartidarismo” é um projeto conservador burguês.

Com isso, fica ainda mais evidente o objetivo da lei (fortalecer os movimentos conservadores e reacionários, colocando todo o pensamento progressista e de esquerda, diante da atual conjuntura, como uma extensão do PT, usando para tanto um espantalho chamado Petralha, com camisa vermelha) quando propõem que as escolas não estimulem os estudantes a participarem de manifestações, atos públicos e passeatas, ou seja, que não questionem, que não lutem pelos seus direitos, que aceitem passivamente os atos praticados pelos entes políticos ainda que estes tragam prejuízos à sociedade.

Precisamos nos mobilizar urgentemente contra a inclusão do Programa “Escola Sem Partido” na Educação Nacional, haja vista que sua aprovação, antes impensada diante do absurdo de suas propostas, atualmente é plenamente possível, em função do Congresso Nacional extremamente conservador e da crise política produzida não por acaso.

Vamos à luta pela Educação com pensamento crítico!

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