Posição do MAIS sobre as eleições em Sorocaba

Nota #MAIS Sorocaba sobre eleições

MAIS·Sábado, 3 de setembro de 2016

Nós do MAIS (Movimento Por Uma Alternativa Independente e Socialista) possuímos um programa próprio de partido e eleições, entretanto - em razão do pouco tempo de vida da organização - não pudemos participar oficialmente das eleições que se estendem por todo o território nacional neste período. Avaliamos que a inserção no debate e atividades eleitorais é uma importante forma de levar o ideal socialista para a população e ainda, especificamente neste momento da conjuntura brasileira, iniciar o debate da construção de um terceiro campo independente dos trabalhadores no país. Neste contexto, onde há candidaturas que representem um avanço para a esquerda radical nos municípios, estamos oficializando nosso apoio.

Vivemos hoje um momento bastante importante para a esquerda brasileira de modo geral e também para o conjunto da população. De um lado vemos uma crise econômica gigantesca que produz altos índices de desemprego, um aumento no custo de vida e um corte de verbas a serviços essenciais para o povo. De outro lado, assistimos à crise do projeto político petista de conciliação de classes e a imposição por parte da classe dominante de um governo ilegítimo e reacionário de Michel Temer.

Os dois processos, apesar de distintos se relacionam intimamente. A burguesia precisa avançar na retirada de direitos da população para manter suas taxas de lucro e o PT não tem mais capacidade de aplicar tais projetos. É por isso que conjuntamente a FIESP, a grande mídia, setores do judiciário e do legislativo aplicam uma verdadeira manobra para colocar de maneira completamente antidemocrática um novo governo no poder. Um governo que tenha condições de aprofundar mais ainda os ataques que o PT não conseguiu.

É no meio de todo esse processo que acontecem as eleições municipais em todo o país. Embora seja cedo para afirmar com certeza alguma análise mais profunda, as primeiras pesquisas indicam o crescimento de candidaturas de perfil conservador e de extrema-direita, pautadas no discurso anticorrupção e em medidas reacionárias. Por outro lado, surge um espaço para candidaturas de esquerda, como Freixo no Rio e Luciana Genro em Porto Alegre. Em partes, este processo se explica pela ruptura de amplos setores da classe trabalhadora com o PT, além de expressar uma forte descrença da população nos partidos tradicionais e no próprio sistema político brasileiro.

Sabemos que o terreno eleitoral é antidemocrático e possui diversas limitações. O tempo de propaganda não é distribuído igualmente entre os candidatos e - graças à mini-reforma do corrupto Eduardo Cunha - partidos de esquerda como o PSTU, PSOL e PCB são excluídos dos debates na TV. Grandes empresas continuam patrocinando campanhas de diversos políticos e determinando, portanto, quais candidatos de fato terão chances de se eleger. Com isso, a classe trabalhadora sequer tem chances de conhecer todas as alternativas. Percebe-se então que a democracia, no Brasil, só existe para os ricos e poderosos.

Em Sorocaba, a situação não é diferente do restante do país. Vivemos em uma cidade com mais de 600 mil habitantes, mas que é governada pelos mesmos grupos políticos. O PSDB em nossa cidade está a frente da prefeitura desde 1996, e antes disso tínhamos o PMDB, além de contar com uma câmara de vereadores extremamente retrógrada. Querem nos fazer acreditar que existe uma disputa de projetos políticos durante as eleições entre PSDB e PMDB, ou entre PSDB e DEM. Mas a verdade é que o que acontece em nossa cidade é uma mera disputa entre a própria elite, que não possuí nenhum compromisso com os interesses da população. É isso que representam tanto as candidaturas de Crespo, antigo DEM e hoje PMDB, e João Leandro do PSDB.

Mas o povo sorocabano está cansado da mesma conversa de sempre. Está cansado das promessas de sempre sem resultados. Está cansado de se deixar levar pelos interesses daqueles que nunca estiveram ao nosso lado. E justamente por isso hoje, Raul Marcelo do PSOL aparece em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais, com 30% das intenções de voto. Nós do MAIS enxergamos isso como algo extremamente progressivo e vemos na candidatura de Raul Marcelo a possibilidade de enfrentamento com essa velha elite reacionária que comanda a nossa cidade a décadas. Por isso declaramos nosso apoio a essa candidatura e nos somamos a força militante do PSOL para construir essa campanha. Mas achamos que isso não basta. A candidatura de Raul Marcelo tem um potencial muito maior do que o seu potencial eleitoral. Ela pode e deve ser uma candidatura que busque canalizar o sentimento de revolta popular, de indignação com a situação política e econômica da cidade e do país. Para isso achamos que essa campanha pode e deve ser uma campanha que de voz a todos que lutam na cidade. A construção da candidatura começa no sentido correto, sem apoio de empresas, sem coligações com partidos burgueses e com um programa de governo construído coletivamente com trabalhadoras e trabalhadores que estão para além do partido. Mas avaliarmos também que vários pontos precisam avançar em seu programa de governo, como o estabelecimento de pautas mais definidas relacionadas às questões LGBTs da cidade por exemplo.

Sabemos como o calendário eleitoral exerce uma pressão para que questões como essa fiquem em segundo plano, e por isso que além de apoiar Raul Marcelo fazemos um chamado a todas e todos os lutadores da cidade, para que não apenas votem nele, mas para que tomem a campanha para si. E para que passado o período eleitoral, independente do resultado, não voltem para casa. Temos que aproveitar esse momento político ímpar para fortalecer a discussão e formação de um terceiro campo independente do PT e da direita na cidade, que reúna todos os setores de esquerda, pois entendemos que o objetivo final da participação da esquerda nas eleições não pode ser um mandato, mas o fortalecimento da luta para a construção de uma nova sociedade.

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