REPRESSÃO POLICIAL E LGBTTFOBIA EM SOROCABA


Nos últimos meses, não são poucos os relatos de abordagens policiais violentas e desproporcionais em Sorocaba, com uso excessivo de força, inclusive com agressões verbais e físicas.

Esse tipo de conduta, apesar de contrária à Lei, não é novidade nenhuma nas periferias e favelas do país. Para o povo pobre, negro e periférico, a polícia sempre foi vista com desconfiança e medo, já que as forças de segurança pública nunca precisaram de um “motivo” para bater, humilhar, ou até mesmo matar. O simples fato de nascer ou estar no lugar “errado”, “vestir a camisa da cor negra”, confirmam que - com base na história e no dia a dia - as maiores atrocidades são feitas em nome de uma ordem social que protege o patrimônio de poucos em detrimento de vidas.

Não há investigação ostensiva dentro da corporação, não há punição dos que são investigados. Quando muito, afastamento da função para realização de serviços administrativos internos. A expulsão é rara. Prevalece sempre o corporativismo e protecionismo dos seus membros, para preservar uma imagem fantasiosa de uma instituição que apodrece a olhos vistos.

No último dia 28, foram dois relatos de LGBTTfobia cometidos por PMs da cidade (na Praça do CIC contra adolescentes e na Praça Frei Baraúna contra uma jovem trans), no ano passado tivemos Guardas Municipais agredindo jovens LGBTTs dentro do terminal de ônibus, enfim, nota-se o aumento dos casos de conduta violenta da polícia contra LGBTTs.

População periférica, população negra, população LGBTT, basta fazer parte de qualquer um desses grupos para ser abordado com agressividade. Cometer crime ou ser suspeito de um não é indispensável, provas não são necessárias, registro de ocorrência tampouco, é a violência pela violência, motivada pelo preconceito que está enraizado numa instituição que a cada dia se torna mais fascista.

Sob o pretexto de proteger “cidadãos de bem” contra aqueles que são julgados seres humanos de “segunda categoria”, o braço armado do Estado utiliza sua força para intimidar pessoas, calar movimentos sociais, aniquilar tudo que possa, de alguma maneira, questionar a ordem social imposta pela burguesia.

A sociedade não pode se calar diante desses atos de covardia e violência, todos merecemos respeito, independente da condição social, raça, cor, identidade de gênero ou orientação sexual. A polícia deve ser popular e agir para coibir atos de violência, e não ser ela própria a razão da violência.


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