Um novo Golpe contra a Classe Trabalhadora!



Hoje dia 31 de agosto de 2016 é um dia histórico. É o dia em que foi consolidado no Brasil mais um Golpe. O Senado concluiu sua votação e condenou Dilma Rousseff a acusação do impedimento, a perder assim, a partir de então, o cargo presidencial.

É um dia histórico, não somente pela consolidação de um Golpe parlamentar, mas pela intensa falta de lucidez na interpretação do evento e também pela grave irracional histeria daqueles que comemoram.

O governo petista desde o seu primeiro mandato apostou em um política de conciliação de classes, buscando atender os interesses do grande capital e da classe trabalhadora - em algumas de suas demandas. Sobretudo, privilegiou e tutelou o grande empresariado ainda que produzisse tímidas reformas progressistas para os trabalhadores. Essa opção foi o caminho escolhido pelo PT para se legitimar enquanto potência política capaz de governar o país. No entanto, ao fazer esse pacto, optou também pelo conservadorismo conciliador no que se refere as diversas formas de luta organizada da esquerda, sendo que as lutas que não pôde cooptar, criminalizou-se. Certo é que a classe dominante não opera na lógica de pactos afetivos, opera, sim, no apoio a governos que estejam de acordo com um projeto cuja governança que lhes propiciem continuidade de grandes lucros e ampla dominação. Imediatamente ameaçado o projeto, ou diminuído sua influência, a classe dominante não só retira o apoio ao governo que lhe [também] servia , como o depõe.

A crise que se acentuou em 2008, (“marolinha” no Brasil), fez se esgotar ao longo dos anos as possibilidades de arrecadação de recursos fiscais, cambias e tributários para conter a queda da taxa de crescimento [capitalista] da economia brasileira. Ao passo que, na entrada de 2014, a crise do Capital já batia claramente às portas do país e começava a se tornar emergencial um outro governo. Um governo que não buscasse um pacto entre classe dominante e os trabalhadores, mas um governo que esquecesse, de uma vez, qualquer medida que atendesse os interesses do povo - ainda que mínimos - e se concentrasse exclusivamente em recuperar o ritmo de crescimento do empresariado.

É nesse contexto que o tão sonhado Golpe palaciano se torna viável. O empresariado retira seu apoio ao governo, a mídia inflama e impulsiona as manifestaçãoes reacionárias e golpistas, a Câmara dos Deputados se torna o poder central na República e é dado início ao processo de impeachment.

De forma alguma foi uma grande surpresa. Era necessário um governo sob a liderança de Michel Temer para implementar medidas ainda mais violentas contra a classe trabalhadora para recuperar a taxa de lucro e crescimento do país em um cenário de crise do capistalismo. Inicia-se um governo com amplos cortes em áreas sociais fundamentais, transferindo-se em grande escala para o já então Poder Economico.

O PT vendo-se dentro desse contexto em que se colocou, traça sua estratégia: que corra o Golpe parlamentar, que Temer assuma, vitmiza-se Dilma, recupera-se algm prestígio perdido do partido. Temer implementa sua agenda ainda que custe a dignidade dos trabalhadores. Mas em 2018 “voltamos triunfantes com Lula”.

A opção foi clara e consciente. Os movimentos sociais e sindicatos que nas últimas décadas foram absorvidos pelo petismo e sua conciliação morna, no decorrer desse processo, forjaram lutas protocolares visando também talhar uma imagem de vítima da então presidenta, a construir o palanque Lula para as próximas eleições burguesas.

Esse Golpe palaciano não se coloca contra o PT, muito menos contra Dilma. O Golpe é uma necessidade urgente do Capital de recuperar seu faturamento. E o Capital só atingirá seu objetivo explorando e empobrecendo cada vez mais a classe trabalhadora. Portanto, O GOLPE É CONTRA A CLASSE TRABALHADORA.

31 de agosto de 2016 não é o dia que marca a saída de Dilma da presidência da República, mas sim o dia em que a classe trabalhadora sofre mais um golpe das forças conservadoras e reacionárias do capitalismo. É o dia em que Michel Temer é elevado à presidência da República para satisfazer os anseios do Grande Empresariado.

Por essas razões é emergencial que não nos enganemos com falácias que vitimizam superficialmente Dilma [e o PT], precisamos superar o programa democrático popular, pois o centro da questão não é esse. Os atores desse processo já encontraram seu caminho, agora resta ao conjunto da classe trabalhadora, e a esquerda, se unir e se organizar para combater e resistir ao governo Temer nos próximos anos.

Fora Temer! Contra o lulo-petismo e o Golpismo!
À resistência, à luta!
A saída é pela Esquerda! Uni-vos!

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